Entenda a crise na Americanas SA

A Americanas balançou o mercado nos últimos dias com a renúncia do CEO Sergio Rial apenas dez dias depois de ter assumido o cargo.
A crise nas Lojas Americanas abriu uma crise histórica no mercado financeiro brasileira.
Veja as principais perguntas e respostas:
O que aconteceu com a Americanas?
Quando anunciou sua saída da Americanas, Sergio Rial emitiu um comunicado ao mercado, por meio de fato relevante, em que reportava um rombo de R$ 20 bilhões nos balanços financeiros da companhia.
Posteriormente, uma análise interna determinou que o rombo poderia chegar a R$ 40 bilhões.
A companhia pagava fornecedores por meio de uma triangulação com bancos (Risco sacado, veremos mais abaixo), mas os pagamentos não foram devidamente contabilizados, o que gerou a dívida.
A Americanas está falida?
A companhia não está falida. Apesar de estar em processo de contenção de custos e reavaliação financeira, a empresa continua operando, vendendo produtos tanto em lojas físicas quanto na loja virtual.
Segundo interlocutores do mercado, a Americanas terá que passar por um processo de recuperação judicial mesmo que os credores aceitem a rolagem da dívida.
Além disso, a empresa pode receber doações de acionistas de referência, os três acionistas por trás do sucesso da Ambev: Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles.
No entanto, a emissão de novas ações em bolsa, processo denominado follow-on, também deve fazer parte da estratégia de recuperação da empresa.
Como a companhia perdeu bilhões de reais?
A resposta a esta pergunta ainda requer uma investigação interna.
Especialistas disseram que provavelmente foi um caso sério de erro técnico e fraude.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) instaurou três processos administrativos para analisar as inconsistências contábeis da Americanas.
A CVM também pode lançar uma investigação sobre a PricewaterhouseCoopers (PWC), que auditava a companhia. O caso também pode levar a uma investigação policial.
O que é risco sacado?
Risco sacado é um termo utilizado no mercado para descrever triangulação e pagamentos entre lojistas, bancos e fornecedores.
A Americanas compra produtos a prazo, com os bancos pagando antecipadamente os fornecedores.
É como um empréstimo de um varejista a um fornecedor. O “sacado” neste caso é o banco, que tira o dinheiro do caixa. Embora o pagamento tenha sido recebido antes, o fornecedor recebeu menos do que o valor contratado. Enquanto isso, a Americanas (ou qualquer varejista que tenha convênio com o banco) paga um valor acrescido de juros à vista, mas os pagamentos são parcelados.
O que significa a crise na Americanas?
Depois que o caso veio a público, a Americanas derreteu na bolsa de valores e os acionistas ficaram insatisfeitos com a governança corporativa da empresa.
A queda foi de quase 80% em um dia, a terceira maior queda em um dia da B3, segundo pesquisa da TradeMap.
A razão para a queda no preço das ações da empresa é que os investidores corporativos e indivíduos não acreditam mais nos fundamentos do negócio neste momento.
A queda do preço das ações reflete a crise de reputação da marca e faz com que ela perca seu poder de negociação, por exemplo em caso de venda da companhia, já que o preço de suas ações está mais baixo do que antes.
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